Minha história: cabelo + superação + autoestima (Mulheres)

Mulheres é para ser uma categoria/projeto do blog onde vou contar a história do meu cabelo, da minha auto estima e da minha vida e pedir para outras mulheres contarem as suas. O foco aqui é mostrar que todas somos iguais e ao mesmo tempo diferentes. Todas temos problemas distintos, mas o que nos torna iguais é que temos força para sairmos dessas situações.

Hoje, para começar, vou contar a história do meu cabelo. Bora lá.

OgAAAEXaTQHdiwXzSbCYfZSFAhVS1QcAwZqotRQv2H8L0noALNLa0iAaL7TzFklaJwwhwiQwJtno1_CIdGhJp9V0kjkAm1T1UPrimeiramente, eu nasci do dia 29 de outubro de 1994, tenho 21 anos, e nasci com o cabelo crespo.

O problema é que naquela época era meio difícil conseguir informação com tanta facilidade como hoje, não tinha internet e computador para sair pesquisando como cuidar do cabelo, então a nossa única fonte de informação era a televisão.

Mas o que a gente via lá? Várias mulheres com o cabelo liso e loiro dizendo e ditando que usar daquela forma era o correto, nos comerciais as marcas diziam que o cabelo cacheado era feio e o cabelo liso era certo, depois nos vendiam modelos e mais modelos de chapas, secadores e produtos que faziam o MILAGRE DO LISO PERFEITO.

Como era “difícil” e minha mãe não sabia como cuidar de tanto cabelo, com uns 12 anos, ou menos, ela começou a passar produto de supermercado para baixar o volume. Até baixou por um tempo, mas quando a raiz crescia e vinha aquele volumão de cachos, era mais creme, mais produto pra baixar o volume, mais meios de fazer com que aquele cabelo não fosse daquele jeito.

Desde então eu fiquei com esse complexo de que o meu cabelo não era o certo, que deveria estar liso, então eu prendia e passava muito creme na raiz pra deixar baixo e “liso” e dificilmente deixava ele solto.

cabelo

(< Meu cabelo solto e feito relaxamento | Meu cabelo antes do relaxamento, como eu prendia)

Com uns 12 anos eu fui ao salão e fiz um relaxamento, novamente para baixar o volume do cabelo. E até deu certo, ficou baixo, meio ondulado, quase perfeito, mas não ficava assim pra sempre. Eu tinha que refazer o relaxamento, mas quando fui fazer, a cabeleireira deu a ideia de fazer uma escova inteligente porque, segundo ela, ia hidratar, baixar o volume e ficar lindo, só não ia durar muito, ela me alertou.

OgAAAHtxQ5HP80afJnzif2JTYczbgoNUHS2c_G68_b8XRHesIb96EZAHhRz5oUk95z3R8TDBBetmHMc63whqgMOHeBAAm1T1U

Então fiz um relaxamento com a escova inteligente em seguida e sai linda do salão. Me senti ótima naquele dia, meu cabelo era enorme e com o alisamento ficou maior ainda, me libertei do prendedor de cabelo, mas novamente não muito tempo. Não passou dois meses e a raiz voltou a crescer e eu voltei a prender.

Desta vez tive que fazer algo mais forte, novamente ideia dos outros e não minha. Deram a ideia de fazer uma texturização, que é uma das químicas mais fortes, e como todos diziam que a raiz do meu cabelo era feia, que aquele cabelo era ruim, de bombril, duro e etc, eu preferia alisar. Eu queria que me aceitassem, isso era fato, mas na época eu ainda não tinha noção disso.

Eu ficava triste e frustrada com o meu cabelo natural quando ele começava a nascer, e queria sempre arranjar uma forma de fazer com que o liso durasse mais, sempre procurando químicas mais fortes, passando prancha no cabelo com mais frequência ou quase todos os dias. Chorava quando ele não ficava do jeito que eu queria, sentia inveja de cabelos lisos naturais porque o meu não era daquele jeito, sentia vergonha de sair porque achava que estavam todos olhando pro meu cabelo e falando mal de mim. Na escola então, eu morria de medo e vergonha de tudo, não queria chamar atenção, não queria me destacar, não queria estar na frente de todos. Tudo porque eu achava que todos iam falar do meu cabelo e de mim.

Mas mal sabia eu que aquilo era problema da minha cabeça e da minha falta de auto estima.

Desde esse dia que eu fiz a minha primeira texturização, eu não parei mais.

Era sempre a mesma coisa, pelo menos uma ou duas vezes na semana eu fazia escova e prancha no meu quarto, durante 3 horas ou até mais, até que o meu cabelo ficasse liso perfeito. A cada 3 meses mais ou menos eu tinha que procurar um salão pra retocar a minha raiz, porque o meu cabelo sempre cresceu rápido e o liso não durava muito tempo.

Mas eu fui crescendo e o meu tempo foi ficando curto. Como eu ia trabalhar, fazer faculdade e ainda ter que manter um cabelo perfeito como o que eu queria? Eu tinha que estar em contato com várias pessoas, apresentar seminários, sair de casa, pegar chuva. E eu odiava tudo isso, queria estar sempre longe dos holofotes para que ninguém visse o meu cabelo.

Então chegou um momento que eu não aguentava mais, eu queria me livrar daquele sofrimento que era o compromisso de esticar os fios o máximo que eu podia, eu não queria mais aquela prisão, eu não queria mais sofrer fazendo química, porque além de ser caro, doía e ardia meu couro cabeludo e onde mais pegasse. Eu sabia, sentia  e via que o meu cabelo estava ficando desnutrido, seco, sem vida. Quando eu pensava em pentear ou somente passar a mão, tufos de cabelo vinha na minha mão, caiam no banho, no travesseiro, no chão, onde fosse. E isso me entristecia, me tornava uma pessoa amarga e irritada com tudo. Eu não me amava, eu não conseguia me olhar no espelho e ver uma pessoa bonita.

Mas eu não sabia o que fazer. Nesse ponto da minha vida eu não conhecia o meu cabelo, se me perguntavam eu não sabia dizer como o meu cabelo era, eu só conseguia lembrar de como ele era durante o meu primeiro relaxamento, que foi quando ele ficou meio ondulado. Mas o meu cabelo de verdade, eu não fazia a mínima ideia de como era. E isso pra mim foi bastante triste, porque eu não me conhecia, eu não sabia quem eu era de verdade. Era como se eu fosse uma estranha para mim mesma.

Um dia na faculdade um amigo me perguntou como o meu cabelo era, me incentivou a deixar ele crescer. Eu pensei naquilo e disse: Ok, eu posso fazer isso. Vamos ver o que tem debaixo dessa química toda.

Então eu comecei a deixar a química sair. Mas não pensem que foi fácil, foi um momento muito ruim. Meu cabelo estava horroroso, eu ainda não sabia como cuidar e ainda tive que ouvir de colegas do trabalho o quanto meu cabelo estava feio e volumoso, que eu deveria alisar, que mulher só é bonita de cabelo liso e que eu deveria fazer desse jeito ou daquele jeito. E nenhuma destas pessoas perguntou se eu queria saber a opinião delas.

Minha auto estima ainda estava desgastada, eu chorei no banheiro do trabalho e durante dias me senti péssima. Então eu alisei de novo.

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Essa foi a última vez que eu alisei, porque prometi pra mim mesma que não mais o fazer. E mesmo assim eu tive que ouvir de muita gente que eu não ia conseguir, que eles me conheciam e sabiam que logo, logo eu ia desistir, principalmente quando eu visse o meu cabelo ruim e duro.

Pesado, né? Mas eu tinha que enfrentar, para além de mostrar a eles que eu conseguia, mas também mostrar pra eu mesma que eu podia. Aliás, que eu posso.

Então eu comecei a pesquisar, descobri o que era transição e todo o conteúdo da internet sobre empoderamento, cabelo cacheado, crespo, tipos de cabelo, formas de cuidar e muito mais. Fiquei tão empolgada, principalmente com as histórias de outras meninas, que não pensei duas vezes, foquei no meu objetivo e continuei com a transição. Quando me falavam que eu não ia conseguir, dava aquela pontada no peito, mas eu ignorava e continuava.

Passaram-se 8 meses quando eu fiz o meu primeiro corte.

1 mês depois eu resolvi cortar logo toda a química.

Foi uma sensação incrível e libertadora. Sai falando pra todo mundo o quanto eu estava feliz, o quanto eu pensava que não ia conseguir, mas que agora eu estava ali, 9 meses depois, sem química, com o meu cabelo natural, conhecendo a mim mesma e aos meus cachos.

Eu me olhava no espelho e me via pela primeira vez, via quem eu estava escondendo por tanto tempo. Não era só um cabelo debaixo de uma texturização, era um ser humano debaixo de padrões impostos, de propaganda enganosas, de preconceitos e esterótipos por toda parte.

E eu estava muito feliz e me sentindo bonita como nunca tinha me sentido antes.

Eu comecei a usar maquiagens e roupas que eu nunca achei que usaria, porque agora eu me sentia linda e amada por mim mesma. Se antes eu não queria aparecer, agora eu estava pouco me importando se as pessoas estavam me olhando, eu sabia que estava linda porque eu me disse pro espelho quando acordei. hahahah Não precisava mais que ninguém me dissesse o que pensar, eu estava pensando por si própria.

Eu estava livre.

E a maior sensação de liberdade que eu tive foi andar nas ruas e começar a chover, meu coração ficou tão pequenininho. Naquele momento eu lembrei de quando eu alisava e tinha que correr da chuva porque senão o meu cabelo não ia ficar mais do mesmo jeito. E naquele dia não, eu deixei que molhasse, depois ele ia secar e ia ficar todo lindo de novo.

E apesar de me sentir tão bem, ainda tive que aguentar muito preconceito, muita gente desconhecida na rua falando mal do cabelo e ainda assim eu to aqui, linda, maravilhosa e nem aí pra opinião do povo. hahahaha

Os dias são difíceis, mas eu sou melhor que tudo isso. E Deus me deu forças para aguentar cada passo que dou e cada atribulação que enfrento.

Hoje sou grata a Ele e a todos que me apoiaram.

Sou muito mais feliz.

Se você também passou pela transição ou está passando, comenta aqui, vamos conversar. Ou mande um email para contatoaryteixeira@gmail.com contando a sua história que eu vou postar aqui na categoria Mulheres.

Um beijo e até mais.

xx

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